Meu humor



O CACHORRO
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S I L Ê N C I O

 

Meus ouvidos, ávidos de tua presença, me confundem e me lançam neste abismo que no fundo leva a mesmice… Qualquer som, tão distinto e tão plural, fundamentalmente é teu som. Nada distingue o som do fósforo queimando de teu pisar. Nada distingue tua respiração do estalo abafado da porta fechando atrás.

Nada me distingue agora! E eu ouço Prince, mas som é o mesmo da água que lava lá fora, que era também uma cigarra, que fora um canário...  Será? Meu silêncio não é protesto: é estado, e meu protesto é tua presença.

O silêncio de tua ausência é ensurdecedor! E o meu é maior ainda.



Escrito por Will às 19h34
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J A S M I N S

Nunca foi minha intensão plantar rosas no meio de teus jasmins. Mesmo porque as rosas não respirariam e ficariam vermelhas e se assemelhariam a qualquer coisa cálida e não delicada e então não seriam rosas, não essas rosas...

Também não foi proposital derramar vinho tinto e fresco em teu copo com água. Sei que o sabor da uva doce agride teu paladar àvido de sal e pimenta e por isso mesmo a tua sede imensa...

Saciar tua fome não era meu objetivo. Tua fome era de quê mesmo? Diz-me o que agrada teu paladar! São sentimentos e  raízes selvagens, ou pedaços de bolachas mofadas de ontem? Será que tu faz regime agora então?

Agradar teu coração não é fácil, pois ele tem um paladar que é específico e por vezes insondável. Queria poder ao menos te dar algo para berber e lavar essa tua grande precisão. Quem sabe isso não aplacaria parte da tua sede?

Seja o que queira então. O tempo acabou!



Escrito por Will às 18h31
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