O porquê do choro
Choro porque não caibo em meus limites. Cresço tanto, que minha pele fica demasiadamente pequena pra conter o que sou e o que vem impetuosamente, e então entorno pelos olhos até ficar pequeno e aconchegado novamente. Crescer tanto, neste momento, é meu paradoxo, porque cresço, mas não evoluo. Cresço somente para transbordar, e voltar a ficar pequeno, silencioso e perfeito. Queria ficar assim, perfeito sempre: sem fermento ou luxação. Mas não é decisão de minha soberania, nem mesmo um pedido deferido - não me é dado escolher. Simplesmente vou sem saber, sem escolher e aconteço. Aconteço sem ter idéia, sem querer e cresço. Transbordo e preencho tudo de mim mesmo, de meu sentir... Sentir imperfeito esse, que tenho que perder o que é de mim para caber novamente nos meus limites, que são perfeitos. Perfeitos sim! Imperfeito é o sentir que o ultrapassa, violenta e exagera o ser. Ser eu. Ser por apenas existir, e por isso mesmo, já perfeito. Perfeitamente delimitado. Não mais nem menos do que deveria ser. Não se pode escolher ou prever transbordar, acontece e tem motivo certo: voltar aos limites perfeitos. Perfeitamente delimitado: Voltar a Ser Eu.
Escrito por Will às 13h40
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